Ex-funcionários da Empresa Fuck vão realizar manifestação para pressionar Justiça do Trabalho

Trabalhadores que estão desde 2016 sem receber seus direitos trabalhistas querem que a justiça libere os R$ 11 milhões arrecadados com os leilões dos bens da empresa

Canoinhas
05 de Abril, 2019 27.297

Publicado em: 05/04/2019 às 18:39

Atualizado em: 05/04/2019 às 18:48

Funcionários da extinta Empresa Industrial Fuck SA pretendem fazer uma manifestação pública com o objetivo de pressionar a Justiça do Trabalho a liberar os valores devidos em relação a salários não pagos, direitos trabalhistas e rescisórios. A manifestação está marcada para acontecer na próxima segunda-feira (08/04) na frente da Justiça do Trabalho de Canoinhas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Canoinhas, Alípio Castanha de Araújo, o Gaúcho, os trabalhadores estão desde 2016 sem receber seus direitos e passando necessidades. ''Alguns trabalhadores estão passando até fome'', relatou.

A decisão pela manifestação aconteceu em uma reunião dos os trabalhadores na sede do sindicato no último sábado (30/03). Todos os trabalhadores presentes na reunião optaram em realizar a manifestação que terá passeata pelas ruas centrais da cidade e um ato público com manifestação na frente da Justiça do Trabalho, onde pretendem requerer uma audiência com o juiz do trabalho.

''Queremos saber por que a justiça não libera os valores arrecadados com o leilão dos bens e imóveis da empresa e que estão depositados em juízo'', questionou Gaúcho.

Entendo o Caso

A Empresa Fuck fundada em 1943 foi uma das maiores madeireiras da região, com unidades em Três Barras em cidades do Paraná e até no Paraguai. Em 2015, depois de uma longa batalha judicial envolvendo os irmãos proprietários, a empresa foi dividida, cabendo a madeireira do bairro Industrial a Estevão Fuck. Niceto Fuck assumiu a Ervateira Yacuy e refundou a unidade de Três Barras como F Comp. 

Desde então a empresa de Canoinhas começou a enfrentar dificuldades, em função da crise econômica e outros fatores que culminaram com o encerramento das atividades no final de 2016. Logo em seguida vários funcionários entraram na Justiça do Trabalho em busca do acerto rescisório, já que a maioria não recebeu nem os últimos meses de salários atrasados.

Segundo o advogado do Sindicato, José Cidral da Costa, na época a empresa fez acordos amigáveis com os trabalhadores mas não cumpriu esses acordos. Diante disso a Justiça do Trabalho determinou a penhora, expropriação e leilão dos bens da empresa, visando levantar os recursos necessários para o pagamento aos ex-funcionários.

Depois de algumas tentativas frustradas por recursos jurídicos, o leilão dos bens da Empresa Fuck aconteceu em março e julho de 2018, onde foram levantados recursos aproximados  em torno de R$ 11 milhões. Todos os valores foram depositados em juízo, porém até agora não foram liberados os recursos aos trabalhadores, porque desde então os advogados do empresário Estevão Fuck travam uma verdadeira batalha jurídica para cancelar a realização do leilão, devido as baixas avaliações efetuadas pelo oficial da Justiça do Trabalho que realizou as penhoras dos bens. O caso ainda não teve uma decisão final da Justiça do Trabalho e por este motivo os trabalhadores pretendem com a manifestação pressionar o juiz a proferir uma sentença, ou seja, liberando os valores devidos aos ex-funcionários. Atualmente cerca de 200 ex-funcionários da Fuck aguardam o pagamento de seus direitos trabalhistas.


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