Preso por crime que não cometeu, ex-estudante receberá indenização milionária.

Uma carona mudou uma vida e levou Jair Dalberti para a cadeia, onde ficou seis anos, pagando por um crime que não cometeu.

REVISTA | Curiosidades-Humor
27 de Março, 2017 387

Publicado em: 27/03/2017 às 11:09

Atualizado em: 27/03/2017 às 11:10

Uma carona mudou uma vida e levou Jair Dalberti para a cadeia, onde ficou seis anos, pagando por um crime que não cometeu.
Quase 20 anos depois, o erro foi reconhecido e agora ele aguarda para receber a sua indenização, que poderá chegar a R$ 3 milhões.

Uma carona mudou uma vida e levou Jair Dalberti para a cadeia, onde ficou seis anos, pagando por um crime que não cometeu.
Quase 20 anos depois, o erro foi reconhecido e agora ele aguarda para receber a sua indenização, que poderá chegar a R$ 3 milhões.

A reviravolta na vida de Jair ocorreu no dia 10 de dezembro de 1998.

Com 25 anos na época, ele foi acusado de auxiliar uma quadrilha que assaltou um ônibus e matou o policial rodoviário do posto de Vargem Bonita, Vitor Camargo Neto, no dia 8 de dezembro.

Dois dias depois, Jair foi preso e condenado por ter transportado quatro integrantes da quadrilha, antes deles cometerem o crime.

Jair estava numa lanchonete quando um amigo, que havia trabalhado com ele na agroindústria, pediu uma carona até uma fruteira no trevo da BR-282 com a BR-153, no conhecido Trevão do Irani.

No trajeto, o amigo disse que precisava falar com outras pessoas e pediu carona para elas também. Um dos indivíduos carregava muitas sacolas. Mais tarde, Jair soube que haviam armas dentro delas.

Jair voltou para casa por volta das 18h. No dia seguinte, a quadrilha foi presa. Pela descrição do carro, um VW/Gol branco, a Polícia Civil chegou a Jair.

No dia 10 de dezembro, por volta das 17h, Jair estava trabalhando quando chegou o carro da Polícia Civil e ele foi levado ao Presídio de Joaçaba, julgado e condenado a 15 anos de detenção por ter participado do latrocínio. Ficou cinco anos, oito meses e 10 dias preso, até ser solto em 19 agosto de 2004.

Em inicio de carreira, o advogado Eber Marcelo Bündchen tomou conhecimento do caso de Jair por meio de outro preso. Ao conversar com ele, o advogado percebeu que Jair, de fato, era inocente e decidiu entrar com um pedido de revisão criminal.

Conseguiu testemunhas que tinham se negado a dar carona para os integrantes da quadrilha e outras pessoas, que estavam na lanchonete e viram o amigo de Jair pedir a ajuda. Com isso, em 2004, conseguiu a liberdade de Jair.

No ano seguinte, entrou com um pedido de indenização por danos morais e materiais contra a União, pelo erro cometido.

Ele pediu R$ 110 mil de danos materiais, que seria o valor do salário que seu cliente deixou de receber enquanto esteve preso.
Depois, mais R$ 1,5 milhão por danos morais por ele não ter podido concluir a faculdade, por não ter conseguido se casar, pelos danos psicológicos causados pela prisão e a pecha de ex-presidiário, que vai carregar pelo resto da vida.

No total, o advogado pediu uma indenização de R$ 1,6 milhão. Corrigido, o valor deve chegar a R$ 3 milhões.

O último recurso do processo foi julgado neste mês em Brasília, no STF (Supremo Tribunal Federal). O recurso ingressado pela União, que tratava da inconstitucionalidade da ação, foi julgado improcedente.

Segundo o advogado, a intenção é ingressar com a execução até o mês de junho para que o cliente entre na fila dos precatórios, com previsão de pagamento para 2019 ou 2020.

Após ser solto, trabalhou por mais quatro anos na agroindústria onde trabalhava. Após esse período, aproveitando o curso de eletrônica que fez por correspondência enquanto estava preso, montou seu próprio negócio, onde pretende investir o dinheiro da indenização.

 A história de Jair virou um documentário americano exibido para toda a América Latina, em 2015.

FONTE: CANOINHAS ONLINE.


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