Reitor da UFSC e outras seis pessoas são presas em operação contra desvio de recursos

Dinheiro de educação a distância teria sido desviado inclusive para pessoas sem vínculo com a universidade. Reitor é suspeito de atrapalhar investigação interna, segundo a PF.

Estado
14 de Setembro, 2017 595

Publicado em: 14/09/2017 às 13:59

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, e outras seis pessoas foram presas em Florianópolis na Operação Ouvidos Moucos nesta quinta-feira (14). Segundo a Polícia Federal, a ação tenta desarticular uma organização criminosa que supostamente desviou recursos de cursos de Educação a Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) na UFSC. Entre 2006 e 2017, foram repassados R$ 80 milhões para o programa. O valor desviado ainda é investigado.
A chefia do gabinete da reitoria da UFSC informou ao G1 que foi surpreendida pela operação e que não teve acesso ao processo.

A investigação aponta que verba destinada ao EaD foi desviada, inclusive para pessoas sem vínculo com a universidade, como parentes de professores e até um motorista. O reitor foi preso por suspeita de tentar barrar a investigação interna, segundo a PF.

Também são investigadas verbas de custeio de ensino, como para livros, viagens e transporte. Entre as constatações, estão casos de aluguel de carro com custo 10 vezes acima do mercado. Esta é uma primeira fase da investigação, que compreende os que articulavam e coordenavam o esquema. Em um segundo momento, serão investigados os beneficiados.


Prisões, buscas e conduções

Os nomes dos demais presos não vão ser divulgados, pois há um impeditivo judicial que mantém as identidades sob sigilo, informou a PF. Entretanto, a PF esclareceu que entre os envolvidos estão docentes, dois empresários que contratavam serviços para o EaD e um funcionário que prestava serviço para o programa.

Os sete presos foram afastados das funções públicas que exercem dentro da universidade, ao menos enquanto durarem as investigações. As prisões são preventivas e valem por cinco dias.
Cinco mandados de condução coercitiva, que é quando alguém é levado para depor, contra envolvidos no esquema no passado, também foram cumpridos.

Ao todo, 16 mandados de busca e apreensão foram expedidos. Eles ocorreram em setores administrativos da UFSC e de fundações constituídas para o fomento às atividades de ensino, pesquisa e extensão acadêmica, bem como em endereços residenciais de docentes, funcionários e empresários. Um dos alvos é um depósito de documentos ainda não analisados pelos órgãos de fiscalização no Norte da Ilha.

Os mandados foram cumpridos por mais de 100 policiais em Florianópolis, Itapema e Brasília.
Ocorreram buscas na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação ligada ao Ministério da Educação destinada a apoiar programas de pós-graduação e a formação de professores de educação básica. A Justiça Federal determinou que a unidade central da Capes, em Brasília, "forneça imediatamente à PF acesso integral aos dados dos repasse para os programas de EaD da UFSC".




Conforme o superintendente da AGU em Santa Catarina, Orlando Vieira de Castro Junior, foi pego dentro do montante de R$ 80 milhões um recorte de R$ 40 milhões, para fim de amostra de análise. Nestes, foram vistos alguns contratos e constatados irregularidades. Foram priorizados os contratos mais recentes para análise.

A PF informou que o nome da operação faz referência à desobediência reiterada da gestão da UFSC aos pedidos e recomendações dos órgãos de fiscalização e controle. "Não se trata de uma operação contra a instituição, a universidade foi e é parceira da Polícia Federal", Marcelo Mosele, superintendente da PF em Santa Catarina.
A ação desta quinta-feira é para tirar o acesso das pessoas que podiam comandar ou atrapalhar as investigações, conforme a PF.

Anda não se sabe a extensão dos desvios. "Temos que apurar todos que se beneficiaram desse esquema", afirma Érika Marena, delegada chefe de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal.

Fonte ; G1

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