Os últimos dez anos não foram bons para os jovens no mercado de trabalho global, atesta um estudo lançado este domingo pela Organização Mundial do Trabalho (OIT).
Os desempregados entre o 1,1 bilhão de pessoas no mundo entre 15 e 24 anos passaram de 74 milhões em 1995 para 85 milhões em 2005, uma alta de 14,8%. Mesmo assim, entre os jovens nessa faixa etária que já têm emprego, 25%, ou cerca de 300 milhões de pessoas, vivem abaixo da linha de pobreza. Na prática, o jovem tem três vezes mais probabilidade de sem emprego, do que o restante da população adulta, estima a OIT.
Para resolver o problema, seriam necessários criar 400 milhões de empregos para os jovens. Mais ainda, segundo o relatório da OIT, devem ser postos de trabalho “decentes e produtivos, ou seja mais e melhores empregos”, de acordo com o documento, divulgado em Genebra (Suíça). “A incapacidade das economias para criar empregos decentes e produtivos apesar do incremento no crescimento econômico está golpeando com força os jovens do mundo”, disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.
Um indicador que mostra a gravidade da situação é a quantidade de jovens que não estuda nem trabalha, que atinge taxas de 34% na Europa Central e do Leste, 27% na África Subsaariana, 21% nas Américas Central e do Sul, e 13% nas economias industrializadas e na Europa.
Custo alto
Para Somavia, a tendência é preocupante: “Isso ameaça as perspectivas econômicas de um dos nossos principais recursos, nossas mulheres e homens jovens”, diz ele. O ponto essencial, segundo a OIT, é desenvolver ao máximo o potencial produtivo dos jovens com empregos dignos, para que isso não comprometa as perspectivas futuras da carreira deles.
“A juventude ociosa custa muito”, diz o relatório. As conseqüências para toda a economia e para a sociedade de cada país são: diminuição da poupança do país, queda na demanda agregada, redução de investimentos e mais gastos sociais na prevenção ao crime e ao consumo de drogas.
Na América Latina e Caribe, que compuseram uma só região no relatório da OIT, o desemprego juvenil atingiu 16,6%. A taxa é menor que a região composta pelos países da Europa Central, Leste Europeu (exceto os países da União Européia) e CEI (países que compunham a antiga União Soviética), com 19,9%. As economias industrializadas e a União Européia registraram desemprego juvenil de 13,1% e a Ásia Oriental, 7,8%.
Entre as jovens mulheres latino-americanas, o quadro é ainda pior, pois a diferença de participação no mercado de trabalho, em relação aos homens, é de 19 pontos porcentuais (p.p.). A taxa latino-americana é menor que os 35 p.p. na Ásia Meridional (com 10% de desemprego juvenil) e os 29 p.p. do Oriente Médio e África do Norte (com 25,7% de desemprego), e maior que os 16 p.p. detectados nas regiões da África Subsaariana (18,1% de desemprego juvenil), e Sudeste Asiático e Pacífico (15,8%).
Para a OIT, essas diferenças entre homens e mulheres têm origem nas tradições culturais desses países, que dão poucas oportunidades a elas conciliar as tarefas domésticas com o trabalho, e descartam as trabalhadoras com mais facilidade que descartam os homens.
A dificuldade de encontrar trabalho desanima os jovens, a ponto de um em cada três deles desistir totalmente da busca, ou se sujeitarem a receber menos de US$ 2 por dia. A população entre 15 e 24 anos cresceu 13,2% entre 1995 e 2005, mas a proporção de empregos para essa faixa aumentou apenas 3,8%, para 548 milhões. No fim das contas, os jovens são 44% do total de desempregados em todo o mundo. E a taxa de desemprego adulto global média é de 4,6%, enquanto a dos jovens é de 13,5%.
01/11/06 - 21h32min
Fonte: Canal RH