A internet é uma ótima ferramenta para a informação e para a educação, mas se usada de maneira inadequada pode trazer problemas sérios para a sua família
Com a violência instituída nos centros urbanos, é até coerente pensar que dentro de casa os filhos estão mais seguros e protegidos. A conexão com o mundo lá fora passa então a se dar por meio da tevê e da internet. E é nesta segunda que reside um grande perigo.
Despreocupadamente, muitos jovens navegam pela web sem se dar conta que podem estar se envolvendo com os chamados “predadores virtuais”: pedófilos, seqüestradores e até traficantes de drogas. “Os jovens são movidos pela curiosidade e com a internet eles têm acesso a todo tipo de coisa.
Desde sites de pornografia, contato com pessoas mal intencionadas, sites que ensinam até a construir bombas e grupos que incentivam adolescentes ao suicídio”, alerta Adelize Generini de Oliveira, especialista na área e autora do livro Navegando com Segurança – Guia para Proteger seu Filho na Internet.
E os números comprovam que há motivo para preocupação. Cerca de 90% das denúncias de pedofilia registradas no Brasil no ano passado tinham relação com o conteúdo do Orkut – um dos mais populares sites de relacionamentos utilizados pelos jovens.
Para evitar problemas, é preciso estar atento. De acordo com a pedagoga e consultora em tecnologia, Danielle Lourenço, o melhor caminho é a orientação dos pais. “Você até pode proibir que seus filhos acessem a internet, não se cadastrem no Orkut ou usem o MSN. Mas só dentro da sua casa.
Ele pode ir na esquina em uma lan house e fazer tudo isso. Hoje é possível entrar em qualquer site pelo celular. Então, a conversa franca, com as devidas orientações do uso seguro da internet é o melhor caminho. Outra coisa importante é entrar neste meio online e ficar mais próximo dessa realidade”, sugere a consultora.
Mas se o diálogo não funcionar, existem outras maneiras de evitar que seu filho se meta em encrencas. “A coisa mais simples a fazer, principalmente para crianças menores, é colocar um filtro proibindo certos conteúdos. Uma outra medida possível é verificar o histórico no Internet Explorer e ver o que o jovem anda acessando.
Em último caso, quando já existe a suspeita de que há algo errado, dá para colocar um Keylogger – programa que monitora e grava tudo que é digitado no computador, sem que o usuário perceba. Antes a invasão de privacidade, do que a falta de segurança”, diz Danielle.
Garota de 12 anos estava envolvida com pedófilo
Mãe alerta, sempre presente na vida dos filhos e atuante na área de tecnologia, a professora S.Z. – que prefere manter-se no anonimato – surpreendeu-se ao descobrir que a filha de 12 anos estava em contato com um pedófilo pela internet.
“Ela passava muitas horas no computador, mas só comecei a desconfiar que tinha alguma coisa errada quando, no aniversário dela, vi todas as amigas na sala e não a vi junto. Quando fui procurá-la, ela estava no computador. Achei aquilo muito estranho, afinal com quem ela estaria conversando se as amigas dela estavam na festa?”
S.Z. passou a investigar e descobriu que um homem mais velho (que ela prefere não dar detalhes) estava assediando a sua filha há algum tempo. “Ele a elogiava, pedia descrições físicas, fotos e assim por diante. Tive uma conversa séria com a minha filha.
Ela sabia que estava errada e me disse que fez tudo por curiosidade, que achava que aquilo não iria dar em nada”, diz a mãe.
S.Z acredita que se não tivesse percebido a tempo, o caso poderia ter resultados gravíssimos. “Eles estavam prestes a marcar um encontro, aí sabe-se lá o que poderia ter acontecido.”
08/04/08 - 22h41min
Fonte: Gazeta do Povo