A perspectiva de lançamento do edital do projeto da Ferrovia Litorânea de Santa Catarina, que deverá interligar os portos de São Francisco, Itajaí e Imbituba, e, por consequência, outros ramais ferroviários, foi motivo de concorrido pronunciamento na última semana, do líder da bancada do PMDB na Assembléia Legislativa de SC, Antônio Aguiar.
O parlamentar trouxe ao debate a importância deste modal de transporte e protestou contra o abandono da ligação ferroviária entre o Litoral e o Oeste catarinense, a partir de São Francisco do Sul até o Planalto Norte, e dali em direção ao Meio-Oeste, até a divisa com o Rio Grande do Sul.
Filho de ferroviário, Aguiar tem convicção que o abandono deste meio de transporte nas últimas décadas deve ser revisto. Ele considera ousado o planejamento do governo federal, de desenvolver em nove meses o projeto da Ferrovia Litorânea e iniciar obras já no segundo semestre de 2010, com cronograma para oito anos até sua conclusão.
“O trecho de 236 quilômetros de ferrovia já possibilita que o modal ferroviário salte dos atuais 8% de carga transportada no estado para 25%, conforme estudos preliminares” - destacou o deputado.
Para o deputado, é necessário que essa obra dê impulso à recuperação de outros ramais. Aguiar lembra que a empresa América Latina Logística (ALL) ganhou a concessão dos principais trechos no Sul do país, mas privilegiou a ligação São Paulo – Rio Grande, da antiga Rede Ferroviária Federal, deixando ao abandono o outro ramal, especialmente de Mafra a Piratuba e Marcelino Ramos (RS), que passa por Canoinhas, Porto União, Caçador e Herval do Oeste.
“Fala-se também na Ferrovia do Frango, investimento fundamental para transportar a produção das agroindústrias do Oeste, que somente em 2008 exportou quase R$ 700 milhões em carnes”, observa o deputado. “Para essa ligação funcionar é preciso recuperar o ramal que foi abandonado”.
O parlamentar lembra que desde 2003, o orçamento da União previu investimentos da ordem de R$ 173 milhões nas ferrovias da região Sul, mas efetivamente foram gastos somente R$ 21 milhões, ou seja, somente 12% consolidado. “São números que falam por si”.
O pronunciamento de Aguiar ensejou uma série de manifestações sobre a importância das ferrovias e da revisão do planejamento estratégico sobre o transporte nacional, com ênfase para apartes dos deputados Nilson Gonçalves (PSDB), Professor Sérgio Grando (PPS) e Ismael dos Santos (DEM).
23/09/09 - 22h15min
Fonte: Alesc