
Lideranças deram ultimato a ALL – “Ou reativa a ferrovia ou devolve o trecho para o Governo Federal”
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Lideranças políticas e empresariais de Santa Catarina e do Paraná lotaram o auditório da Universidade do Contestado, nesta sexta-feira (6), em Porto União, num encontro promovido pela Frente Parlamentar das Ferrovias.
Oito deputados estaduais e federais, um secretário de Estado, 20 prefeitos e vice-prefeitos, 20 vereadores, representantes de associações de municípios e várias entidades do setor produtivo e turístico se reuniram com representantes da empresa América Latina Logística (ALL) para exigir a reativação da Ferrovia do Contestado.
O trecho contempla 613 quilômetros entre o município de Mafra e a cidade gaúcha de Marcelino Ramos, passando por Porto União, mas está desativado desde o final dos anos 90. O deputado estadual Antônio Aguiar fez um discurso contundente contra a América Latina Logística – ALL e o Governo Federal durante encontro Aguiar cobrou investimentos no percurso da antiga ligação São Paulo – Rio Grande.
O parlamentar entende que o governo federal deve fomentar investimentos conjuntos com a América Latina Logística (ALL), empresa detentora da concessão regional, visando à retomada do tráfego de cargas também pelo Planalto Norte.
O secretário regional Edmilson Verka colocou a SDR de Canoinhas à disposição das prefeituras de região no sentido de pressionar a ALL a reativar a Ferrovia do Contestado.
“Ou reativa ou devolve”
Coordenador da Frente Parlamentar das Ferrovias, o deputado estadual Pedro Uczai comemorou o grande número de lideranças que participaram do encontro e os resultados alcançados.
“Essa é uma luta de todos. Nosso único objetivo é unirmos forças para que possamos ter essa ferrovia voltando a funcionar o mais breve possível, pela importância econômica, social e cultural que ela tem para a região.
Não somos contra a ALL ou quem quer que seja, mas precisamos que a empresa tome uma decisão: ou retome as operações, ou devolva a ferrovia ao governo federal”, disse o deputado, ao defender que a ALL reative o trecho ou devolva ao governo federal.
Uczai também destacou a importância de outros trechos ferroviários complementares à Ferrovia do Contestado, a exemplo da Ferroeste – estatal paranaense que também participou do evento.
Um dos principais apoiadores do movimento pela reativação da Ferrovia do Contestado, o prefeito de Porto União, Renato Stasiak, se disse emocionado com o encontro: ”Essa participação dos dois estados demonstra a importância da ferrovia para a região.
Esperamos que este encontro de hoje seja o início da retomada deste importante instrumento de desenvolvimento”, destacou.
ALL deve concluir estudo de viabilidade até dezembro
Depois de quase três horas de debate e manifestações incisivas sobre a importância da ferrovia voltar a operar para impulsionar o desenvolvimento regional, a empresa responsável pelo trecho apresentou um cronograma de trabalho que se estende até o próximo ano e se comprometeu a buscar uma solução para o problema. “A ALL não vai ser obstáculo.
Se os clientes não apresentarem a demanda necessária de cargas, vamos estudar a possibilidade de devolver o trecho ao governo federal”, afirmou o diretor de gente e relações corporativas da ALL, Pedro Almeida.
Ele alegou a baixa demanda de cargas para justificar a desativação da Ferrovia do Contestado, mas afirmou que até o final de dezembro a empresa pretende concluir um estudo de viabilidade econômica e, caso os resultados forem positivos, em agosto de 2010 alguns trechos já poderão ser reativados.
A baixa demanda de cargas foi contestada por várias lideranças, entre elas o representante da Associação dos Amigos do Trem de Porto União e União da Vitória/Ferrovia do Contestado, Marcelo Roveda, que informou que aproximadamente 140 mil toneladas de areia por mês são transportadas para a região oeste de Santa Catarina pelas rodovias.
“Somente a areia já tem uma demanda enorme”, disse ele. O argumento foi reforçado pelo presidente da Associação Empresarial de Porto União (Acipu), Aloísio Salvatti, ao ressaltar que o transporte ferroviário poderia potencializar ainda mais a região que é responsável por 33% da produção nacional de esquadrias e aberturas.
São cerca de 1,6 milhão de unidades de portas produzidas por ano, em 180 indústrias que geram 15 mil empregos. “A ferrovia é fundamental, tanto pelo baixo custo e agilidade do transporte quanto pela questão ecológica“, ressaltou Salvatti, ao lembrar que o escoamento da produção de soja e milho na região também carece da malha ferroviária.
Ao final do encontro, as lideranças divulgaram a Carta de Porto União, em que manifestam a necessidade da reativação da Ferrovia do Contestado para promover o desenvolvimento regional, exigindo da ALL a retomada dos serviços ou a devolução do trecho ao governo federal. A carta também fala da importância do transporte ferroviário para um meio mais barato, seguro e ambientalmente sustentável, e manifesta apoio à criação da Ferrosul, a exemplo do BRDE, com o propósito de planejar, construir e operar ferrovias no Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de integrar o Sul com a Ferrovia Norte-Sul e com os demais países da América do Sul.
07/11/09 - 00h25min
Fonte: Portal de Canoinhas