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Pastoral da Criança continua trabalha voluntário, apesar da morte de sua fundado

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No Loteamento Santa Cruz dezenas de gestantes, mães e crianças são atendidas pela Pastoral da Criança

 

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Canoinhas - Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, morta no terremoto do Haiti, desejou um mundo em que os mais pobres tivessem uma vida um pouco mais digna. Morreu lutando por isso, e seu legado é um exemplo.

 

Prova disso é o trabalho que a Pastoral da Criança desenvolve em várias comunidades, na maioria pobres, de todo o Brasil. Presente em várias comunidades de Canoinhas, a Pastoral da Criança luta para reduzir a desnutrição infantil.

 

Apesar de ser um movimento da Igreja Católica, a Pastoral da Criança tem caráter ecumênico — atende a famílias de todas as religiões. No Loteamento Jardim Santa Cruz, terça-feira (19) foi o dia da pesagem. No bairro, a Pastoral possui alguns voluntários que são liderados por Marli Ferreira dos Santos, 41 anos.

 

“Há dois anos nós tínhamos várias crianças desnutridas e abaixo do peso. Hoje graças ao trabalho da Pastoral nenhuma criança do bairro está desnutrida”, comemora.

 

Multimistura

 

Os voluntários acompanham o desenvolvimento das crianças desde antes do nascimento — na gestação — até os seis anos de idade.

 

Uma vez por mês, as crianças são pesadas e aquelas que estão abaixo do peso recebem a multimistura, um complemento alimentar produzido pela equipe da pastoral com farinha de trigo, farelo de arroz, fubá, farelo de trigo e sementes torradas — como de abóbora e girassol.

 

As mães são orientadas a usar uma colherinha de café da multimistura junto com sopa, feijão ou leite. Segundo a coordenadora, a multimistura combate a desnutrição, a anemia e até verminoses. “Mas ela sozinha não é suficiente.

 

Nosso trabalho é mais amplo. Orientamos as mães a usarem alimentos nutritivos. Fornecemos até receitas com ingredientes que custam barato para que todos possam fazer”, conta.

 

Acompanhamento

 

Além da pesagem mensal das crianças, os voluntários da pastoral fazem uma visita por mês a cada família atendida. Nessas visitas, as mães recebem orientações sobre higiene, alimentação, vacinação infantil e são questionadas sobre o desenvolvimento dos filhos.

 

Todos os dados são registrados e enviados para a sede da Pastoral da Criança, em Curitiba-PR.

“É um trabalho que exige muita dedicação e amor ao próximo, mas é muito gratificante ver uma criança, antes desnutrida, começar se desenvolver após o atendimento que damos às famílias.

 

Não tem dinheiro que pague”, avalia Marli. Ela observou que nem sempre a carência das famílias é só de alimentos. “Muitas vezes a carência é afetiva. Precisam de uma palavra de carinho. E é isso que buscamos levar”, diz. Marli conta que outra carência no bairro é o emprego.

 

“Tem muita gente desempregada e isto faz com que muitos passem necessidades, então nós também tentamos conseguir uma colocação para s pessoas”, explica.

 

Trabalho Profissional

 

Apesar da maioria dos líderes da Pastoral ser voluntário, o trabalho que exercem é profissional. Para ser líder é necessário ter um curso de capacitação de 40 horas, sendo que anualmente há vários outros cursos para atualização.

 

“É um trabalho sério. Estamos sempre precisando de ajuda para estender o atendimento a mais famílias, mas quem tiver interesse tem que saber que é preciso se dedicar de corpo e alma à causa”, conta Marli. No Brasil, a Pastoral da Criança existe há 20 anos.

 

Atende 1,7 milhão de crianças e 80 mil gestantes e possui 227 mil voluntários, entre líderes e equipes de coordenação, capacitação e apoio.

 

Missão continua

 

Segundo dados da Unicef, a mortalidade de menores de um ano nas comunidades em que a Pastoral da Criança atua é 60% menor do que a média nacional, que engloba crianças ricas e pobres. Apesar da morte da fundadora Zilda Arnz, Marli explica que o trabalho da Pastoral da Criança vai continuar.

 

“Ela era uma pessoa muito simples, que deixou um ensinamento de humildade e carinho. Espero que a gente se espelhe na doutora Zilda, que continue com esse trabalho de amor e fraternidade. Quando a gente se lembrar dela, devemos ter mais força e fé. Como ela foi um anjo aqui na terra, também será no céu”, finaliza.

 

20/01/10 - 18h40min

Fonte: Portal de Canoinhas



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